
Reunião de Equipe
06/01/2026 14h
Participantes:
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Floriano José Godinho de Oliveira (Coordenação Geral do Projeto – UERJ);
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Vinícius da Silva Seabra (Coordenação Pesquisa Ambiental e Geociências – UERJ);
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Antonio Carlos Alkmin (Pesquisador Externo – Ciências Sociais);
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Otavio Miguez da Rocha Leão (Coordenação de Pesquisa de Recursos Hídricos e Vegetação – UERJ);
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Rodrigo Siqueira Rodriguez (Coordenação de Economia – UERJ);
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Felipe Baptista Campanuci Queiroz (Coordenação de Políticas Públicas e Direito – UERJ).
A reunião técnica teve como objetivo discutir a construção e a integração de bases de dados censitárias e cartográficas, particularmente a malha de setores censitários do IBGE, com vistas à produção de indicadores socioeconômicos detalhados por setor censitário para subsidiar a elaboração do Plano Diretor do município de Piraí. Durante o encontro, foram apresentados o fluxo de trabalho previsto para a extração, tratamento e cartografia dos dados, bem como protótipos iniciais de mapas e indicadores. Também foram abordadas limitações técnicas e institucionais relacionadas ao peso dos arquivos, ao uso de versões provisórias e definitivas da malha cartográfica e às questões de propriedade intelectual associadas ao tratamento e à organização dos dados.
Inicialmente, foi apresentada por Floriano Godinho de Oliveira a malha censitária do IBGE, composta por aproximadamente 468 mil setores censitários em nível nacional. O professor ressaltou a importância de utilizar o setor censitário como unidade principal de análise, uma vez que tal escala permite maior detalhamento das condições socioeconômicas locais e possibilita análises relacionais entre municípios e suas áreas de vizinhança. Nesse contexto, foi decidido, por indicação de Floriano e com concordância de Vinícius Seabra, que os trabalhos adotariam o setor censitário como unidade fundamental de organização e análise dos dados.
No decorrer da reunião, discutiu-se também a necessidade de utilizar a versão correta e mais atualizada da malha cartográfica. Foram mencionadas as diferenças entre a versão provisória de 2021 e a versão definitiva de 2022, sendo enfatizada a importância de verificar a disponibilidade da malha definitiva para garantir maior precisão nas análises. Vinícius Seabra solicitou o acesso ao dicionário de dados e à tabela de códigos das variáveis do censo, ao que Floriano confirmou a existência desses materiais, informando que os arquivos se encontram disponíveis em formatos como SPSS e DBF.
No que se refere ao tratamento dos dados, Floriano descreveu o processo metodológico adotado pela equipe, que consiste em partir de um conjunto superior a 1.400 variáveis provenientes do censo demográfico e proceder à sua redução e reorganização de modo a compor aproximadamente 35 a 50 indicadores prioritários. Foi informado que já existe um protótipo contendo cerca de 35 indicadores, tendo sido mencionado que em determinado momento o conjunto chegou a contar com 39 indicadores. Entre os exemplos apresentados destacaram-se indicadores relacionados à renda média, infraestrutura domiciliar, acesso a água e esgotamento sanitário, níveis de escolaridade e alfabetização por faixas etárias, categorias étnicas, coleta de lixo e formas de abastecimento de água.
Foi explicado que as análises estatísticas vêm sendo realizadas com o uso do software SPSS, incluindo procedimentos de descrição estatística, elaboração de histogramas e aplicação de análise fatorial. Também foi mencionada a possibilidade de geração de scripts em linguagem R a partir das rotinas do SPSS. Vinícius Seabra informou que não utiliza a linguagem R em seu fluxo de trabalho, manifestando preferência por receber as tabelas com os códigos e variáveis já organizados para uso direto no software QGIS.
Durante a discussão sobre a organização espacial das informações, foi acordado que os indicadores agregados poderiam ser gerados por distritos, por meio da ferramenta de dissolução (“dissolve”) no QGIS, estratégia que permitiria facilitar a produção de mapas e reduzir o peso dos arquivos utilizados nas análises.
No que diz respeito à produção cartográfica, Vinícius Seabra demonstrou que já possui capacidade operacional para gerar mapas no QGIS e informou que já existem mapas de uso e ocupação do solo armazenados em uma pasta compartilhada no Google Drive, incluindo materiais como mapas de uso e cobertura do solo e cartas-imagem. Nesse contexto, discutiu-se a necessidade de priorizar a produção de mapas efetivamente relevantes para o Plano Diretor, considerando que, embora cerca de cinquenta análises possam ser realizadas, provavelmente apenas cerca de vinte mapas finais serão selecionados para compor a documentação principal do projeto.
Também foi debatida a possibilidade de incorporar elementos ambientais relevantes nas representações cartográficas, como, por exemplo, a inclusão da Represa de Ribeirão das Lajes e eventuais recortes territoriais relacionados a municípios vizinhos, como Rio Claro e Capitólio, sempre que tal contextualização se mostrar pertinente às análises.
Na sequência, foram apresentados e discutidos os produtos previstos no âmbito do trabalho. O Produto 1 corresponderá à construção da base de dados e à elaboração de mapas por setor censitário, sendo informado por Floriano que já existem protótipos e visualizações iniciais em desenvolvimento. O Produto 2 consistirá na elaboração de indicadores e na criação de um painel de gestão com aproximadamente vinte indicadores oriundos de diferentes secretarias municipais, como saúde, educação e obras, com o objetivo de permitir o monitoramento semestral das políticas públicas pelo prefeito. Para isso, Floriano informou que será realizado um levantamento de informações nas secretarias municipais, incluindo, por exemplo, cadastros da área de saúde, os quais serão posteriormente compatibilizados com os setores censitários.
O Produto 3 envolverá a realização de três pesquisas qualitativas e quantitativas, incluindo atividades como o acompanhamento de conferências municipais, a análise de discursos e a elaboração de propostas preliminares para o Plano Diretor. Já o Produto 4 corresponderá à elaboração de um relatório final integrando mapas, indicadores e análises produzidas ao longo do projeto. Foi mencionado, ainda, que poderá ser desenvolvido posteriormente um artigo acadêmico ou metodológico derivado do trabalho realizado, observando-se as devidas regras de autoria e direitos de publicação.
Durante a reunião também foram discutidas questões relacionadas à propriedade intelectual. Floriano ressaltou que o processo de transformação e organização dos dados — resultado de aproximadamente três meses de trabalho envolvendo a redução de variáveis e a criação de rotinas analíticas — constitui produção intelectual da equipe e, portanto, deve ser adequadamente protegido. Assim, foi decidido que os produtos finais, como mapas, planilhas de indicadores e relatórios, serão entregues ao município de Piraí, mas que a base completa de dados brutos e toda a cartografia original não serão integralmente disponibilizadas, de modo a preservar a propriedade intelectual da equipe e da universidade.
Ainda nesse contexto, foi realizada uma breve discussão sobre os princípios da ciência aberta e a necessidade de equilibrar a divulgação de resultados com a proteção do trabalho desenvolvido pela equipe. Ressaltou-se a importância de estabelecer acordos claros quanto ao uso, à divulgação e à citação dos materiais produzidos.
No plano técnico e logístico, foi apontado que o peso elevado dos arquivos da malha censitária nacional dificulta sua manipulação em ambientes computacionais comuns. Como solução, foi sugerido que Vinícius Seabra realize a junção entre as tabelas de indicadores e os arquivos cartográficos, produzindo versões recortadas para a área de interesse, especialmente para o município de Piraí ou para o estado do Rio de Janeiro, além de gerar versões otimizadas para uso local.
Também foi enfatizada a necessidade de incluir o dicionário de variáveis, com a identificação das variáveis codificadas (por exemplo, v001, v002 etc.), de modo a permitir a correta etiquetagem e interpretação dos indicadores e das legendas dos mapas. Floriano confirmou que esse material existe e informou que será disponibilizado para a equipe. Foi igualmente confirmado que os formatos de troca de dados entre os membros da equipe incluirão arquivos nos formatos SPSS, DBF, TXT e CSV, sendo destacado que os arquivos do SPSS contêm duas planilhas principais: uma com os dados e outra com os metadados ou dicionário de variáveis.
Entre as ações necessárias definidas durante a reunião, destacou-se a realização da correspondência entre a tabela de indicadores e o arquivo cartográfico correspondente, tarefa que ficará sob responsabilidade de Vinícius Seabra. Ele também se comprometeu a gerar uma versão recortada da base para o município de Piraí e a verificar o peso e a performance dos arquivos resultantes, embora não tenha sido estabelecida uma data específica para essa entrega.
Também foi acordado que a malha cartográfica atualizada e os demais arquivos necessários serão organizados e disponibilizados em uma pasta compartilhada no Google Drive, incluindo, quando possível, a versão definitiva da malha de 2022. Floriano ficará responsável por disponibilizar o dicionário de dados e as planilhas em formato SPSS e DBF.
Além disso, foi indicado que será necessário levantar aproximadamente vinte indicadores prioritários que deverão ser transformados em mapas, distinguindo-se aqueles que serão apenas objeto de análise daqueles que efetivamente serão representados cartograficamente. Tal discussão deverá ocorrer em um workshop ou reunião de acompanhamento prevista para a semana seguinte, embora ainda sem data formalmente definida.
Outro encaminhamento importante refere-se à compatibilização dos indicadores produzidos pelas secretarias municipais com os setores censitários. Essa atividade será iniciada pela área da saúde, contando com a participação de Rafael em colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde.
Por fim, foi lembrado que os produtos previstos — correspondentes aos Produtos 1 a 4 — deverão ser desenvolvidos e entregues de acordo com o cronograma estabelecido no contrato, cuja conclusão está prevista para o mês de outubro, embora tenha sido mencionada a possibilidade de aceleração do cronograma inicialmente estimado entre seis e oito meses.
Ao término da reunião, foram reafirmadas as principais decisões e encaminhamentos. Ficou estabelecido que o setor censitário será utilizado como unidade principal de análise, devido ao seu potencial de detalhamento e à sua utilidade para análises territoriais. Vinícius Seabra ficou responsável por realizar a junção entre os arquivos cartográficos e a tabela de indicadores, bem como por gerar versões recortadas da base de dados para o município de Piraí, a fim de facilitar a análise e reduzir o peso dos arquivos.
Rodrigo Rodriguez comprometeu-se a organizar a pasta compartilhada com a malha cartográfica atualizada, as planilhas em formato SPSS e DBF e o dicionário de variáveis. Também ficará responsável por iniciar o levantamento de indicadores junto às secretarias municipais, começando pela Secretaria de Saúde, com o objetivo de integrar esses dados ao sistema de análise por setor censitário.
Foi igualmente acordado que será realizada uma nova reunião ou oficina de acompanhamento, possivelmente na semana seguinte ao encontro, para revisar o conjunto de indicadores disponíveis e selecionar aproximadamente vinte mapas prioritários para a elaboração final do material do Plano Diretor.
Por fim, foi ressaltada a necessidade de documentar e respeitar as regras de propriedade intelectual relacionadas ao tratamento e à organização dos dados, assegurando a adequada citação de autores e colaboradores antes da eventual publicação de relatórios ou artigos derivados do trabalho desenvolvido. A reunião foi considerada técnica, produtiva e focada na viabilização prática da integração entre as bases de indicadores e os arquivos cartográficos, bem como na definição de prioridades para a produção de mapas e indicadores destinados ao Plano Diretor de Piraí.