
Reunião de Equipe
04/11/2025 - 10h
Participantes:
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Floriano José Godinho de Oliveira (Coordenação Geral do Projeto – UERJ);
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Felipe Baptista Campanuci Queiroz (Coordenação de Políticas Públicas e Direito – UERJ)
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Vinícius da Silva Seabra (Coordenação Pesquisa Ambiental e Geociências – UERJ);
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Paulo Mesquita D’Avila Filho (Coordenação de Planejamento e Mobilização Social – UERJ);
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Antonio Carlos Alkmin (Pesquisador Externo – Ciências Sociais);
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Otavio Miguez da Rocha Leão (Coordenação de Pesquisa de Recursos Hídricos e Vegetação – UERJ);
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Rodrigo Siqueira Rodriguez (Coordenação de Economia – UERJ);
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Thaís Bastos de Souza (Coordenação de Tratamento de Dados e Informação – UERJ);
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Ana Claudia Damit (Coordenação de Análise da Gestão Administrativa);
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Matheus Vinícius (Coordenação de Análise de Mídias Sociais – UERJ).
A reunião teve como objetivo avançar na discussão metodológica e técnica para a construção de indicadores socioeconômicos, territoriais e ambientais que subsidiarão o diagnóstico e as análises do Plano Diretor de Piraí. Foram debatidos aspectos relacionados ao uso de bases de dados secundárias, especialmente do IBGE, à integração de diferentes ferramentas analíticas e cartográficas, à organização da equipe por áreas temáticas e à definição de estratégias para transformar grandes volumes de dados em informações úteis para a gestão municipal. Também foram abordadas questões relacionadas à transparência das informações públicas, à integração com a administração municipal e a reflexões críticas sobre possíveis transformações econômicas no município, como a instalação de um data center.
Inicialmente, foram analisados documentos recentes contendo informações gerais sobre o município, incluindo dados populacionais, estrutura administrativa e recursos da administração direta. Observou-se que muitas dessas informações são produzidas pela própria prefeitura e disponibilizadas em diferentes sistemas ou questionários institucionais, porém de forma fragmentada. Destacou-se que uma contribuição relevante do projeto será justamente organizar, sistematizar e interpretar essas informações, transformando-as em um sistema integrado de indicadores que permita compreender o funcionamento do município e apoiar a tomada de decisão.
Foi ressaltado que, embora a prefeitura possua dados administrativos relevantes, muitas vezes esses dados não são analisados de forma comparativa ou estruturados em indicadores sintéticos que permitam avaliar o posicionamento do município em relação a outros territórios. Assim, o trabalho da equipe envolverá a agregação dessas informações e sua análise comparativa com dados regionais, estaduais e nacionais.
A discussão avançou para a construção de indicadores socioeconômicos a partir dos microdados do Censo Demográfico do IBGE. Informou-se que as bases de dados necessárias já foram obtidas, incluindo microdados censitários e malhas cartográficas dos setores censitários. No entanto, identificaram-se diferenças entre versões provisórias e definitivas das malhas territoriais utilizadas pelo IBGE, o que exige uma etapa de verificação e padronização para garantir a consistência entre as bases cartográficas e estatísticas.
Apesar dessas diferenças, considerou-se que a equipe já possui material suficiente para iniciar o tratamento das informações, uma vez que os dados dos setores censitários permitem realizar análises detalhadas da distribuição espacial de diversos indicadores no município. Destacou-se que Piraí possui pouco mais de uma centena de setores censitários, o que facilita a análise territorial detalhada.
Um dos principais desafios discutidos foi a seleção dos indicadores que serão utilizados no diagnóstico municipal. Considerando que os microdados do IBGE contêm milhares de variáveis, foi proposta a definição inicial de cerca de cinquenta indicadores principais, organizados em temas como demografia, condições habitacionais, saneamento, renda, educação, saúde e participação social. Esses indicadores deverão estar diretamente relacionados às necessidades da gestão pública e ao planejamento municipal, evitando a produção excessiva de dados que não contribuam para a tomada de decisões.
Foi destacado que o objetivo não é criar um grande banco de dados desorganizado, mas sim um conjunto estruturado de indicadores capazes de orientar políticas públicas e permitir diagnósticos comparativos. Nesse sentido, enfatizou-se a importância de interpretar os dados sempre em perspectiva comparativa, analisando a posição do município em relação à região, ao estado e ao país.
Também foi discutida a organização das bases de dados em planilhas estruturadas por setor censitário, nas quais cada coluna representará um indicador específico e cada linha corresponderá a um setor territorial. Essa estrutura permitirá a integração direta com sistemas de cartografia digital, possibilitando a criação de mapas temáticos e análises espaciais mais detalhadas.
Outro ponto relevante foi a possibilidade de desenvolver metodologias de integração entre indicadores socioeconômicos e informações ambientais obtidas por sensoriamento remoto e análise de uso e cobertura do solo. A proposta consiste em cruzar informações espaciais — como tipos de cobertura vegetal ou uso do solo — com dados sociais dos setores censitários, criando análises mais completas sobre a relação entre território, população e meio ambiente. Essa abordagem poderá permitir, por exemplo, o cálculo de indicadores mais precisos de densidade populacional ou a análise da distribuição espacial de atividades econômicas e ambientais no município.
No campo da apresentação e divulgação das informações, discutiu-se a importância de desenvolver formas visuais acessíveis de comunicação dos dados, incluindo mapas, gráficos, dashboards interativos e relatórios analíticos. Foi mencionado que algumas experiências anteriores de construção de dashboards com indicadores municipais já existem e podem servir como referência para disponibilização pública dos resultados.
Também se discutiu a necessidade de organizar os indicadores em diferentes escalas territoriais. No nível mais detalhado, os dados serão analisados por setor censitário. Em um segundo nível, poderá ser criada uma regionalização própria do município, considerando que Piraí não possui delimitação oficial de bairros. Assim, poderão ser definidas áreas de planejamento ou regiões internas do município que permitam análises mais agregadas e adequadas ao planejamento urbano.
A reunião também abordou a importância de complementar os dados secundários com observações qualitativas e verificações locais. Em alguns casos, informações fornecidas por questionários institucionais ou sistemas administrativos precisam ser confirmadas na prática por meio de diálogo com secretarias municipais, conselhos e outros atores locais. Esse processo permitirá qualificar as análises e compreender melhor a realidade administrativa do município.
Outro aspecto discutido foi a necessidade de articulação permanente com a administração municipal, não apenas para coleta de informações, mas também como parte de um processo de formação institucional. A intenção é que o trabalho desenvolvido contribua para fortalecer a capacidade técnica da própria prefeitura na produção e utilização de indicadores.
No campo metodológico, discutiu-se ainda a utilização de diferentes ferramentas tecnológicas para tratamento e análise de dados, incluindo softwares estatísticos, sistemas de geoprocessamento, plataformas de visualização de dados e eventuais recursos de programação ou inteligência artificial para automatizar tarefas mais complexas de organização e integração de bases de dados.
Por fim, a reunião incluiu reflexões mais amplas sobre possíveis transformações econômicas no município, especialmente a possibilidade de instalação de grandes estruturas tecnológicas, como centros de processamento de dados. Foram discutidos tanto os potenciais benefícios econômicos quanto os riscos associados a esse tipo de empreendimento, incluindo impactos ambientais, consumo de água e energia, pressões urbanas e transformações socioeconômicas no território.
Nesse contexto, ressaltou-se a importância de manter uma postura analítica e crítica no desenvolvimento do plano diretor, garantindo autonomia técnica na avaliação de oportunidades e riscos associados a diferentes projetos de desenvolvimento local.
A reunião consolidou os primeiros passos para a estruturação do sistema de indicadores que será utilizado no diagnóstico territorial do Plano Diretor de Piraí. Ficou definido que a equipe iniciará o processo de seleção e organização dos principais indicadores a partir das bases do IBGE e de outras fontes institucionais, estruturando planilhas e bases georreferenciadas que permitam análises espaciais detalhadas.
Também se definiu a necessidade de integrar diferentes tipos de dados — sociais, econômicos, ambientais e administrativos — e desenvolver formas claras de apresentação dos resultados, por meio de relatórios, mapas temáticos e plataformas digitais de visualização.
Como próximos passos, a equipe deverá aprofundar a seleção de indicadores, organizar as bases de dados por setor censitário, avançar na integração cartográfica e iniciar a produção das primeiras análises comparativas. Também será mantido o diálogo com a administração municipal para validação das informações e articulação das próximas etapas do projeto.
A continuidade dos trabalhos será discutida em reunião subsequente, prevista para o período da tarde, com foco no detalhamento dos indicadores, na divisão das tarefas entre os diferentes grupos temáticos e no planejamento das próximas fases do diagnóstico territorial.